14 de jul. de 2014

Te amo, Copa

Por Gabriel Tieppo

Venho hoje fazer uma declaração. Ontem, assim que completei um mês de namoro com a Copa, ela se foi. Surgiu há um tempo, prometeu grandes mudanças, mas demorava para aparecer. Sempre viajando o mundo, aguardei a chegada dela durante quatro anos. Não era mentira. Ela chegou, me encantou, foi embora. Não disse se voltará um dia.

A Copa foi a namorada perfeita. Passava o dia inteiro com ela, com um olhar de admiração. Era coisa de louco. Nem precisei apresentá-la aos meus pais, que já a conheciam de longa data. Na verdade, todos já falavam dela por aí. Desconfio que tenha me traído com a maioria da população mundial. Mas eu não ligo mesmo. Não tenho o que falar da minha Copa, sempre tão animada.

Ela tinha, no entanto, um ponto negativo: os sogros foram horríveis. Os pais da Copa não são boa gente. Eles até tentavam disfarçar com um falso sorriso, mas todos percebiam as suas verdadeiras intenções. Por conta disso, tinha um pessoal por aqui que era contra a minha Copa, mas não acho que seja culpa dela. Ela só queria encantar.

Nada mais importa. Ela se foi. O problema da Copa é que ela não se apega a ninguém. Dizem as más línguas que ela está indo com uns alemães fazer a festa na Rússia agora. Não sei se é verdade, mas se for desejo tudo de bom para o novo namorado. Só que já aviso: não adianta, assim que completar um mês, ela diz adeus. Apenas ficam uma grande bagunça e uma enorme saudade.