24 de jun. de 2014

Avós da Copa

Por Gabriel Tieppo

Créditos: Danilo Borges/Portal da Copa/ME
Avós, normalmente, não são ligadas em futebol. Elas escolhem um lado, gritam gol do time de branco e perguntam que campeonato é esse. Avós têm pena do jogador que sai triste de campo e não entendem, por exemplo, por que o Corinthians tá jogando de azul, ou o Palmeiras de amarelo. Elas não fazem questão de entender, esta é a essência das avós. Mas tem a Copa do Mundo, e, a cada quatro anos, as avós até que entendem um pouquinho.

“Que gol bonito, né, Gabriel?”, perguntou afirmando a minha avó após o primeiro gol de Neymar contra a Croácia. E, depois do empate ante o México, ela não conseguia entender o motivo de o Brasil precisar ganhar de Camarões para se classificar: “Mas você disse que eles já tão eliminados!”. Aliás, avós não sabem nem o que é ‘classificar’. Só torcem para o de amarelo fazer gol logo, pois precisam tocar a corneta comprada minutos antes do jogo. Nem peço para ela escalar a Seleção Brasileira atual, porque Ronaldo, Romário e Pelé apareceriam entre os 11.

Avós sabem que a Copa do Mundo é um monte de seleção boa, mas que o Brasil é a melhor. Não fazem ideia de como esses times chegaram ali ou de como se faz pra ganhar o Mundial. Nem faz sentido tentar explicar que são oito grupos com quatro times cada e que se classificam dois e blá-blá-blá. O Brasil tem de ganhar, e só.

Avós, inclusive, gostam do mais fraco. “Que jogo da Costa Rica! Torci tanto pra eles ganharem”, disse a minha. Pra que tática? É só fazer gol! Para elas, isso é tão simples quanto aquele almoço de avó que você acha maravilhoso.

A Copa do Mundo é muito mais que futebol. Para avós, por exemplo, o que vale é a festa. E o Mundial é isso: gringos, festas, gols, alegria, um campeão, e avós. E você é contra a Copa? Então é contra a sua avó também!