12 de ago. de 2014

Decisão sem razão

Por João Vieira
Créditos: Reprodução SporTv
É normal. A cada nova semana, pode-se esperar pelo menos uma nova polêmica no mundo do futebol.

A principal discussão da vez é relativa ao lance (grotesco) de Petros para cima do árbitro Raphael Claus no clássico Santos x Corinthians. O volante corinthiano empurra violentamente o juiz, que chega a cambalear, mas não recebe punição já que Claus não nota a intenção bruta do atleta.

O que quero debater aqui não é a situação de Petros - que merece sim ser punido -, mas sim uma questão muito bem levantada pelo comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho no programa Bem, amigos.

Para quem não sabe, Raphael Claus, no dia seguinte ao duelo, fez um adendo à súmula da partida depois de ter observado o lance através de imagens de TV, pontuando que percebeu a corrida do meia alvinegro em sua direção e o atingindo “de maneira intencional”.

Pois bem. Como bem diz Arnaldo, o acréscimo na ficha do jogo pode ser muito perigoso para o futebol brasileiro, já que tal fato não só pode, como provavelmente vai, criar uma “jurisprudência”. Ou seja, servirá de exemplo para que outras decisões como essa sejam tomadas.

Para mim, a tarefa do juiz é formular o relatório única e exclusivamente após a partida, sem intervenção de nenhum tipo de informação extracampo. E o que ocorreu foi justamente o oposto.

Não vejo sentido na atitude do árbitro. A mídia já tinha feito o papel de disseminadora do lance e, consequentemente, o STJD já estava atento em busca de uma possível punição. Então, qual a razão para o adendo à súmula?

Novamente tomando as palavras de Arnaldo: o mexicano Marco Rodríguez, que apitou o jogo no qual Suárez mordeu Chiellini, não fez nenhum tipo de anexo ao arquivo pós-partida, já que nem ele, nem outro integrante do quarteto de arbitragem observaram o trágico momento.

Seria bom se algum membro da comissão de arbitragem nacional se pronunciasse sobre a intervenção. Todavia, falta vontade.