Por João Vieira
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| Créditos: Reprodução SporTv |
É normal. A cada nova semana, pode-se esperar pelo menos uma
nova polêmica no mundo do futebol.
A principal discussão da vez é relativa ao lance (grotesco)
de Petros para cima do árbitro Raphael Claus no clássico Santos x Corinthians.
O volante corinthiano empurra violentamente o juiz, que chega a cambalear, mas
não recebe punição já que Claus não nota a intenção bruta do atleta.
O que quero debater aqui não é a situação de Petros - que
merece sim ser punido -, mas sim uma questão muito bem levantada pelo comentarista
de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho no programa Bem, amigos.
Para quem não sabe, Raphael Claus, no dia seguinte ao duelo,
fez um adendo à súmula da partida depois de ter observado o lance através de
imagens de TV, pontuando que percebeu a corrida do meia alvinegro em sua
direção e o atingindo “de maneira intencional”.
Pois bem. Como bem diz Arnaldo, o acréscimo na ficha do jogo
pode ser muito perigoso para o futebol brasileiro, já que tal fato não só pode,
como provavelmente vai, criar uma “jurisprudência”. Ou seja, servirá de exemplo
para que outras decisões como essa sejam tomadas.
Para mim, a tarefa do juiz é formular o relatório única e
exclusivamente após a partida, sem intervenção de nenhum tipo de informação
extracampo. E o que ocorreu foi justamente o oposto.
Não vejo sentido na atitude do árbitro. A mídia já tinha
feito o papel de disseminadora do lance e, consequentemente, o STJD já estava
atento em busca de uma possível punição. Então, qual a razão para o adendo à
súmula?
Novamente tomando as palavras de Arnaldo: o mexicano Marco
Rodríguez, que apitou o jogo no qual Suárez mordeu Chiellini, não fez nenhum
tipo de anexo ao arquivo pós-partida, já que nem ele, nem outro integrante do
quarteto de arbitragem observaram o trágico momento.
Seria bom se algum membro da comissão de arbitragem nacional
se pronunciasse sobre a intervenção. Todavia, falta vontade.
