Por João Vieira
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| Créditos: Issouf Sanogo/AFP PHOTO |
Com pouco mais
de uma semana de “vida”, a Copa do Mundo do Brasil vem espantando positivamente
até os mais otimistas. O futebol bem disputado, as surpresas, a garra e a
emoção se sobressaem até aqui. E esta última que mais me impressiona nestes dez
dias de Mundial.
Várias cenas
tocantes já foram capturadas pelas câmeras dentro das quatro linhas e até fora
delas neste Mundial, partindo do Hino Nacional cantado à capela pelos
brasileiros, passando pela gratidão de Luis Suárez ao fisioterapeuta que
contribuiu para a sua recuperação e chegando, mais recentemente, à morte de
Ibrahim Touré, irmão dos marfinenses Kolo e Yaya Touré.
Esse último
episódio não é marcante somente pelo falecimento de Ibrahim, mas também pela
decisão da dupla em continuar concentrada com a seleção de Costa do Marfim para
a disputa do torneio.
Creio que poucos
fariam o mesmo que as estrelas africanas, o que é algo completamente
compreensível, até sensato. Não há como discutir tal questão. Contudo, a
permanência dos atletas demonstra a gana e o comprometimento de ambos perante todos
os seus companheiros e seu povo, o qual deposita grande parte de sua esperança,
sobretudo, em Yaya, escolhido como o melhor jogador do continente nos três
últimos anos.
Sem dúvida, a
atitude reforça o companheirismo e o laço existente entre os jogadores e a
comissão dos Elefantes, que têm uma partida decisiva na próxima terça-feira
contra a Grécia, podendo garantir uma vaga nas oitavas de final da Copa, feito
jamais alcançado pelos marfinenses. Talvez seja essa a maior homenagem que os
irmãos Touré possam prestar a Ibrahim, que mantinha a mesma profissão dos
familiares, embora com menos destaque – atuava pelo Al Safa, do Líbano.
Nem sempre apenas a técnica assegura
conquistas. É preciso, invariavelmente, algo a mais do que a perícia no trato
da bola. E esse “algo a mais”, traduzido como vontade, garra e determinação,
pode fazer com que Kolo e Yaya Touré sejam lembrados para o resto da história
de uma nação.
