21 de jun. de 2014

Um sacrifício para a eternidade

Por João Vieira

Créditos: Issouf Sanogo/AFP PHOTO
Com pouco mais de uma semana de “vida”, a Copa do Mundo do Brasil vem espantando positivamente até os mais otimistas. O futebol bem disputado, as surpresas, a garra e a emoção se sobressaem até aqui. E esta última que mais me impressiona nestes dez dias de Mundial.

Várias cenas tocantes já foram capturadas pelas câmeras dentro das quatro linhas e até fora delas neste Mundial, partindo do Hino Nacional cantado à capela pelos brasileiros, passando pela gratidão de Luis Suárez ao fisioterapeuta que contribuiu para a sua recuperação e chegando, mais recentemente, à morte de Ibrahim Touré, irmão dos marfinenses Kolo e Yaya Touré.

Esse último episódio não é marcante somente pelo falecimento de Ibrahim, mas também pela decisão da dupla em continuar concentrada com a seleção de Costa do Marfim para a disputa do torneio.

Creio que poucos fariam o mesmo que as estrelas africanas, o que é algo completamente compreensível, até sensato. Não há como discutir tal questão. Contudo, a permanência dos atletas demonstra a gana e o comprometimento de ambos perante todos os seus companheiros e seu povo, o qual deposita grande parte de sua esperança, sobretudo, em Yaya, escolhido como o melhor jogador do continente nos três últimos anos.

Sem dúvida, a atitude reforça o companheirismo e o laço existente entre os jogadores e a comissão dos Elefantes, que têm uma partida decisiva na próxima terça-feira contra a Grécia, podendo garantir uma vaga nas oitavas de final da Copa, feito jamais alcançado pelos marfinenses. Talvez seja essa a maior homenagem que os irmãos Touré possam prestar a Ibrahim, que mantinha a mesma profissão dos familiares, embora com menos destaque – atuava pelo Al Safa, do Líbano.


Nem sempre apenas a técnica assegura conquistas. É preciso, invariavelmente, algo a mais do que a perícia no trato da bola. E esse “algo a mais”, traduzido como vontade, garra e determinação, pode fazer com que Kolo e Yaya Touré sejam lembrados para o resto da história de uma nação.