9 de jul. de 2014

CBF: a nossa eterna goleada contra

Por Gabriel Tieppo

Não vim aqui apresentar o óbvio. Maracanazo foi minúsculo perto do que aconteceu no Mineirão. Todos sabemos que o resultado de ontem foi humilhante. Mas nem todos têm a consciência de que dá para salvar muita coisa desta Seleção. Para muitos, a goleada significa o fim de tudo, o começo de uma catástrofe. Não é por aí. Se tem um ponto que precisa mudar, é a administração do nosso futebol: a CBF.

Créditos: EFE/Marcelo Sayão
Felipão errou muito ao tentar jogar de igual para igual com uma Alemanha em formação desde 2006. Não dá para abrir mão do meio de campo, que já é fraquíssimo, por sinal. Três volantes seria uma estratégia melhor contra o toque de bola alemão, mas dificilmente bem sucedida. A Seleção mostrou raça, vontade, porém faltou amadurecer. É infantil um desequilíbrio tão grande após levar dois ou três gols seguidos.


Júlio César disse após o jogo: “preferia perder por 1 a 0 com um erro meu”.  É muito digno da parte dele, mas melhor não. Pois aí teríamos um vilão, seria mais fácil culpar alguém para nos livrarmos da dor. Assim deixamos a cicatriz e a mente abertas.

Já deu a Era Felipão. Ele não tinha currículo para assumir o Brasil desta vez, vinha de um rebaixamento com o Palmeiras. Foi muito culpado pela vexatória derrota para a Alemanha neste ano, mas também teve o grande mérito da vitória há 12 anos. Não é um monstro.

Monstro é José Maria Marin. Monstro é Ricardo Teixeira. A CBF é a nossa principal goleada contra. A administração do nosso futebol é primária. Vemos isto no calendário mal formulado, nos jovens meninos que são quase escravizados no submundo futebolístico, nos jogadores que sempre vão para a Europa, na Alemanha vencendo por 7 a 1.

A reformulação total tem de acontecer no futebol brasileiro. Não nos jogadores da Seleção, já que acredito que uns 70% devam estar na Rússia daqui a quatro anos. Tem de acontecer na CBF, nosso maior mal.

Não nos esqueçamos dos verdadeiros culpados. Respeito nossos jogadores, que choraram e demonstraram vontade de ganhar. A CBF nunca demonstrou vontade de vencer. Temos algum legado no campo para 2018, que ainda está bem verde, falta amadurecer e ficar verde e amarelo. Não temos, entretanto, nenhum legado administrativo...

Ah, quase me esqueço: o Klose passou o Ronaldo e é o novo artilheiro de todas as Copas, com 16 gols. Mas é só um detalhe.