Por Gabriel Tieppo
Não vim aqui apresentar o óbvio. Maracanazo foi minúsculo
perto do que aconteceu no Mineirão. Todos sabemos que o resultado de ontem foi
humilhante. Mas nem todos têm a consciência de que dá para salvar muita coisa
desta Seleção. Para muitos, a goleada significa o fim de tudo, o começo de uma
catástrofe. Não é por aí. Se tem um ponto que precisa mudar, é a administração
do nosso futebol: a CBF.
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| Créditos: EFE/Marcelo Sayão |
Felipão errou muito
ao tentar jogar de igual para igual com uma Alemanha em formação desde 2006.
Não dá para abrir mão do meio de campo, que já é fraquíssimo, por sinal. Três
volantes seria uma estratégia melhor contra o toque de bola alemão, mas
dificilmente bem sucedida. A Seleção mostrou raça, vontade, porém faltou
amadurecer. É infantil um desequilíbrio tão grande após levar dois ou três gols
seguidos.
Júlio César disse após o jogo: “preferia perder por 1 a 0
com um erro meu”. É muito digno da parte
dele, mas melhor não. Pois aí teríamos um vilão, seria mais fácil culpar alguém
para nos livrarmos da dor. Assim deixamos a cicatriz e a mente abertas.
Já deu a Era Felipão. Ele não tinha currículo para assumir o
Brasil desta vez, vinha de um rebaixamento com o Palmeiras. Foi muito culpado
pela vexatória derrota para a Alemanha neste ano, mas também teve o grande
mérito da vitória há 12 anos. Não é um monstro.
Monstro é José Maria Marin. Monstro é Ricardo Teixeira. A
CBF é a nossa principal goleada contra. A administração do nosso futebol é
primária. Vemos isto no calendário mal formulado, nos jovens meninos que são
quase escravizados no submundo futebolístico, nos jogadores que sempre vão para
a Europa, na Alemanha vencendo por 7 a 1.
A reformulação total tem de acontecer no futebol brasileiro.
Não nos jogadores da Seleção, já que acredito que uns 70% devam estar na Rússia
daqui a quatro anos. Tem de acontecer na CBF, nosso maior mal.
Não nos esqueçamos dos verdadeiros culpados.
Respeito nossos jogadores, que choraram e demonstraram vontade de ganhar. A CBF
nunca demonstrou vontade de vencer. Temos algum legado no campo para 2018, que
ainda está bem verde, falta amadurecer e ficar verde e amarelo. Não temos,
entretanto, nenhum legado administrativo...
Ah, quase me esqueço: o Klose passou o Ronaldo e é o novo
artilheiro de todas as Copas, com 16 gols. Mas é só um detalhe.
