9 de jul. de 2014

Mais fácil que tirar doce de criança...

Por João Vieira
Créditos:Jefferson Bernardes/VIPCOMM
08.07.2014. Data para ficar gravada, como ferro quente na pele, na história do futebol mundial e, sobretudo, na mente dos brasileiros.

Acachapante, estrondosa, inesperada, humilhante, esmagadora... Enfim, use o(s) adjetivo(s) que achar melhor para descrever a tarde maldita do Brasil diante da Alemanha. O fato é que essa foi a maior e mais dolorida – mais do que o Maracanazzo – derrota em cem anos de seleção brasileira.

A escolha de Felipão por Bernard em vez de algum volante para tumultuar o meio de campo alemão se mostrou mortal. Soma-se a isso a deficiência emocional já conhecida pela perda de Neymar e a pane defensiva ao sofrer quatro gols em somente seis minutos. Sim, seis minutos.

Inaceitável a postura da equipe durante os mais longos 90 minutos de sua história. Excetuando-se Marcelo (o único a tentar algo, mesmo horrível defensivamente), todos se mantiveram em choque, sem reação, olhando, em pânico, o toque de bola germânico e as bolas estufando a rede anfitriã. Faltou vontade.

É normal o abalo após a sequência de duros golpes dos rivais, mas foi notável a falta de força e garra da seleção. Os europeus tinham o espaço que queriam para jogar tão tranquilamente como em um jogo contra os receptivos índios baianos que conheceram em sua estadia em nosso país. A marcação dos brasileiros era distante, sem o combate forte visto no duelo contra o Chile, por exemplo. Foi uma partida de um time só e este não era dos donos da casa.

Sem controle do jogo, Felipão, ao menos, deveria ter compactado seu time, aproximado seus comandados e dificultado a (conhecida) posse de bola adversária. Porém, o que vimos foi uma equipe estendendo um tapete (verde) de boas- vindas a outra, como quem diz: “Faça a sua Oktoberfest”.

E mais: se a Alemanha quisesse e Júlio César deixasse, o placar poderia ser mais elástico, beirando os dois dígitos. Alívio nos quatro cantos do Brasil.

E é bom não pensarmos que a coisa seria diferente se Neymar e Thiago Silva estivessem em campo. Decerto, não impediriam o massacre.

Pior que a atuação do Brasil, foi a de seus torcedores, que, em boa parte, gritaram “olé” para a Alemanha. Atitude vergonhosa de quem não merece estar lá.

Pois é. Agora, para terminar esta Copa “bem”, é dever garantir o terceiro lugar. Com certeza, o que daria um gás a mais para os brasileiros seria um confronto Brasil x Argentina. Pelo menos assim, teríamos um duelo mais digno do que o comentado neste texto. Quer dizer, eu acho...