30 de jun. de 2014

A Pátria no divã

Por Gabriel Tieppo

A confiança era enorme para o Brasil conquistar a Copa. O clima de ‘já ganhamos’ fazia parte, mesmo que inconscientemente, de enorme maioria da torcida. Estamos, sim, em casa, mas não significa que seremos os últimos a deixar a festa. O sentimento de que éramos imbatíveis estava me incomodando, algo como um soluço, que acabou por conta do susto chileno.

Crédito: Flavio Florido/UOL
Caso perguntemos a algum brasileiro o que achou do último jogo contra o Chile, a reposta deverá ser de alívio, que se mostrará em um sorriso. Mas só terá essa expressão positiva, porque Júlio César salvou o País no chute de Aránguiz no segundo tempo. Só terá essa expressão, porque Pinilla acertou o travessão aos 13 minutos da etapa final da prorrogação. Só terá essa expressão, porque J.C. fez milagres nas penalidades. O problema é que se ficarmos dependendo de tanta sorte sempre, pode ser que, em algum momento, deixemos de sorrir.

Talvez o “pode ser” do parágrafo anterior soe um tanto otimista. Claro que alguém pode chegar e falar: “se pegar uma Alemanha jogando assim, já era”. E por isso digo: se os ‘Deuses do Futebol’ quiserem de um jeito, não terá potência futebolística capaz de evitar uma final Brasil e Argentina, por pior que estas estejam jogando. 

A nossa Seleção, agora, enfrentará a forte Colômbia. Se ganhamos uma vida – como nos videogames – no jogo contra o Chile, também aumentamos para um nível mais “hard” que o anterior. Não vai ser fácil. Nunca é. É Copa do Mundo, sempre estaremos entre as melhores e piores sensações possíveis, é uma antítese infinita de sentimentos ao longo de um mês.

Enfim, deixem os jogadores chorarem! Nada de desequilíbrio emocional, não! Se pra gente já é difícil, imagina para eles que carregam 200 milhões de emoções da Nação. Provamos que não somos imbatíveis, mas que podemos tentar ser só por mais três jogos. Até arrumamos a bagunça em casa depois da festa, mas queremos sair por último dela.