29 de jun. de 2014

Severa demais?

Por João Vieira
Tony Gentile/REUTERS
Luis Suárez. Grande jogador e, ao mesmo tempo, incrível idiota. Alvo de discussão calorosa nos últimos dias, como você já leu aqui na Digitando Futebol, sua mordida vem rendendo o seguinte debate: a punição de nove jogos, quatro meses ausente de qualquer evento que envolva futebol e multa de R$ 247 mil foi justa ou severa demais?

Fiquei impressionado com a quantidade de comentários contra a sanção. Definitivamente, não concordo com os argumentos contrários à decisão da FIFA.

Para mim, o castigo imposto pela entidade foi muito bem elaborado. O último episódio do protagonista Luisito na verdade foi um flash-back. Esta foi a terceira vez que o atacante morde um rival. Novamente: M-O-R-D-E. Juntas, as cinco letras não combinam em nada com o futebol. Não podemos considerar normal uma atitude desse tipo, ainda mais em tal repetição.

Portanto, é óbvio que as sanções desta vez deveriam ser mais rígidas do que nos momentos anteriores. Ou melhor, muito mais rígidas. Além de tudo, ele foi capaz de mentir em seu julgamento, ao dizer que a mordida não era intencional – claramente desmentido pelas imagens. Uma postura desse tipo deveria ser considerada inaceitável no esporte, contudo, parece ser um simples deslize para muitos.

A única coisa que me vem na cabeça é que o uruguaio possui algum tipo de problema psicológico, que contribua para tal ferocidade. É um caso médico. É bem possível que o ato de Suárez já ocorra desde sua infância. Claro que não sou nenhum especialista, longe disso, mas aparenta ser algo usual, que ele carrega há bastante tempo. Como – suponho – nunca houve alguma repreensão suficiente para extinguir o “vício”, os anos se passaram e a criança selvagem se tornou um adulto feroz.

As penalidades estabelecidas, além de inibirem novas ações – como poderíamos esperar – de Suárez, coíbem condutas tão desastrosas quanto a de Luisito partindo de outros profissionais.  

Li muito pitacos como: “A FIFA não tem moral para dar essa punição. O passado dela é sujo”. Pois é, muitos casos como atos racistas – que parecem ser combatidos pela instituição apenas à base de mensagens – e entradas criminosas, que deixam as vítimas longe dos gramados por longos meses, de fato, não têm uma abordagem severa e eficaz por parte da FIFA, algo muito prejudicial para o futebol, que fica à mercê da ignorância e da maldade. No entanto, não é por esse motivo que temos que ser levianos quanto a outras questões- certas vezes até menos importantes, mas que também mancham o esporte.

O que temos que cobrar, de agora em diante, é que os próximos fatos de tamanha gravidade sejam reprimidos da mesma maneira, para que a bola volte a ser o centro das atenções dentro das quatro linhas.