Por João Vieira
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| Créditos: Marcos Brindicci/REUTERS |
Muito se falou nos últimos dias
sobre a Espanha, sobretudo sobre a sua eliminação e o possível fim da tão
vitoriosa era Tiki-Taka. Assuntos dignos de tamanho debate, porém, algo pouco
abordado pela mídia paira sobre um único jogador: Diego Costa.
O atacante do Atlético de Madrid
chegou badalado ao Brasil, vide suas atuações pelos Colchoneros nesta
temporada. Por outro lado, aparece cercado pela polêmica escolha de servir à
seleção espanhola, deixando Felipão furioso - embora este não quisesse
transparecer tal sentimento - o que causou a sua “desconvocação”, algo, arrisco
a dizer, nunca visto anteriormente no mundo do futebol.
Tal atitude do comandante da
seleção canarinho foi certamente responsável pela ira de boa parte da torcida
brasileira nos estádios e fora deles, que vaiaram e insultaram sonoramente o
atleta em todos os momentos em que este pegava na bola, chegando ao ponto de hostilizá-lo
até em um dos treinamentos da Fúria.
A escolha do sergipano, que
pouco jogou em terras tupiniquins, é legítima. Foi na Europa onde construiu sua vida profissional. Além disso,
após ter sido chamado para jogos não oficiais com a camisa amarelinha, contra
Itália e Rússia, não foi mais lembrado pelo técnico da seleção, embora houvesse
oportunidade e espaço para o convite. Assim, é claro que qualquer um se
sentiria desprestigiado e sem vaga na equipe.
Atitude similar a de Deco, por
exemplo, ídolo dos portugueses, mas brasileiro de origem, que, inclusive,
trabalhou com Felipão na seleção de Portugal e jogou no Fluminense em seus
últimos anos de carreira, nunca sendo vaiado por esse motivo banal.
Outros casos de brasileiros
naturalizados: Cacau (Alemanha), Eduardo da Silva e Samir (Croácia), Marcos
Senna (Espanha), Amauri e Thiago Motta (Itália), Pepe e Liedson (Portugal), entre
outros... Por qual motivo, então, Diego é o único a ser julgado pelos
brasileiros?
O único que sai por cima nessa
história é Felipão. Sim, Felipão. Pelo simples motivo de que o treinador
conseguiu imputar a Diego Costa uma culpa inexistente e que retira a pressão e
críticas que recairiam em seus ombros por ter deixado escapar um atacante tão
valioso para os padrões atuais.
As vaias, na verdade, deveriam
ser direcionadas à Felipão, à sua comissão e ao próprio público contra Diego
Costa. Pensemos antes de vaiar...
