20 de jun. de 2014

Vaias para quem merece

Por João Vieira

Créditos: Marcos Brindicci/REUTERS
Muito se falou nos últimos dias sobre a Espanha, sobretudo sobre a sua eliminação e o possível fim da tão vitoriosa era Tiki-Taka. Assuntos dignos de tamanho debate, porém, algo pouco abordado pela mídia paira sobre um único jogador: Diego Costa.

O atacante do Atlético de Madrid chegou badalado ao Brasil, vide suas atuações pelos Colchoneros nesta temporada. Por outro lado, aparece cercado pela polêmica escolha de servir à seleção espanhola, deixando Felipão furioso - embora este não quisesse transparecer tal sentimento - o que causou a sua “desconvocação”, algo, arrisco a dizer, nunca visto anteriormente no mundo do futebol.

Tal atitude do comandante da seleção canarinho foi certamente responsável pela ira de boa parte da torcida brasileira nos estádios e fora deles, que vaiaram e insultaram sonoramente o atleta em todos os momentos em que este pegava na bola, chegando ao ponto de hostilizá-lo até em um dos treinamentos da Fúria.

A escolha do sergipano, que pouco jogou em terras tupiniquins, é legítima. Foi na Europa onde construiu sua vida profissional. Além disso, após ter sido chamado para jogos não oficiais com a camisa amarelinha, contra Itália e Rússia, não foi mais lembrado pelo técnico da seleção, embora houvesse oportunidade e espaço para o convite. Assim, é claro que qualquer um se sentiria desprestigiado e sem vaga na equipe.  

Atitude similar a de Deco, por exemplo, ídolo dos portugueses, mas brasileiro de origem, que, inclusive, trabalhou com Felipão na seleção de Portugal e jogou no Fluminense em seus últimos anos de carreira, nunca sendo vaiado por esse motivo banal.

Outros casos de brasileiros naturalizados: Cacau (Alemanha), Eduardo da Silva e Samir (Croácia), Marcos Senna (Espanha), Amauri e Thiago Motta (Itália), Pepe e Liedson (Portugal), entre outros... Por qual motivo, então, Diego é o único a ser julgado pelos brasileiros?

O único que sai por cima nessa história é Felipão. Sim, Felipão. Pelo simples motivo de que o treinador conseguiu imputar a Diego Costa uma culpa inexistente e que retira a pressão e críticas que recairiam em seus ombros por ter deixado escapar um atacante tão valioso para os padrões atuais.

As vaias, na verdade, deveriam ser direcionadas à Felipão, à sua comissão e ao próprio público contra Diego Costa. Pensemos antes de vaiar...