8 de ago. de 2014

A volta é bem-vinda, mas...

Por João Vieira
Créditos: Marcos Ribolli
Ele voltou. Robinho, o “rei das pedaladas”, após uma novela de longos e duradouros capítulos com idas e vindas (leia-se entraves financeiros e troca de farpas com o ex-presidente do Santos) acertou seu retorno à Vila Belmiro e é visto como a luz no fim do túnel para saciar os desejos de títulos dos torcedores. 

Com toda a certeza, o regresso do atacante é muito bem-vindo, ainda mais na situação em que o Santos se encontra. São poucas as opções de qualidade em seu elenco, incluindo o ataque. Porém, é preciso tomar cuidado ao levar a contratação como a salvação, pois não é.
Uma andorinha só não faz verão. Ainda mais o atual Robinho, que desfilou em campos europeus, nas últimas temporadas, futebol que não condiz com sua grandiosa fama.

Mesmo assim, acredito que sua experiência e seu futebol mágico podem tornar, em certos momentos, o alvinegro praiano um time competitivo, fazendo os torcedores esquecerem as claras limitações da equipe.

Agora, mudando um pouco o foco da questão, todos sabemos, embora muitos mascarem o fato, que Robinho chega ao Santos pelo futebol que não joga há muito tempo. A mente fresca dos santistas recai direto sobre o Paulistão e Copa do Brasil de 2010, quando o alvinegro se sagrou campeão nas duas competições esbanjando um futebol alegre, ousado e bonito de se ver com um trio (Neymar, Ganso e Robinho) em ótima fase. Além disso, o elenco contava com companheiros que certamente seriam titulares atualmente no grupo santista caso mantivessem (o que não ocorre atualmente) suas atuações de quatro anos atrás, como Wesley e André.

Ganso, Neymar e seus talentos se foram.  Sem Gabigol, artilheiro da equipe, no clássico de domingo, Leandro Damião, em péssimo momento, vai à campo. Assim, restará a Robinho pedalar muito para alegrar os torcedores.

O tabu de nunca ter perdido para o Corinthians pode ajudar sim a motivar o novo camisa 7 santista, porém, não deve ser suficiente para superar o Timão, que possui um grupo muito mais capacitado.

Vejo muitos torcedores já contando vitória por causa da volta do ídolo. Todavia, é preciso ficar atento e não deixar o passado iludir o presente. E lembre-se: o peixe morre pela boca.