28 de jul. de 2014

São só cadeiras; é só futebol

Por Gabriel Tieppo

Foto: GloboEsporte.com
Durante a Copa do Mundo, presenciamos aulas de como se deve torcer. Pessoas felizes, tristes, tensas, ansiosas, seja qual for o sentimento do momento, mas comportadas. Sem essa de ‘Cenas Lamentáveis™’ após os jogos. Todos ali sabiam que, independentemente do resultado, o dia de amanhã aconteceria da mesma maneira. Afinal, é só futebol, não?

No jogo de ontem, em um dos maiores clássicos do mundo, Corinthians e Palmeiras encontraram-se pela primeira vez no novo estádio dos alvinegros. A preocupação com o comportamento dos palmeirenses era tão grande que houve um pacto entre os clubes: qualquer dano provocado pelo Palestra à arena rival, a diretoria alviverde pagaria. Justo.

Pensando logicamente, é óbvio que os próprios “torcedores” do Palmeiras não iriam querer trazer dívida ao clube, ainda mais “reformando” a casa do arquirrival, certo? Errado... Após a partida, várias cadeiras da área de visitantes estavam quebradas.

Não acredito que isso tenha acontecido por conta da vitória corintiana no derby paulista. Mesmo se o Palmeiras ganhasse o jogo, a cena se repetiria. Mesmo se fosse estreia do clássico na arena palmeirense, alguns “torcedores” alvinegros quebrariam cadeiras. Mesmo que eles insistam em dizer que são torcedores, não são. Torcedores torcem, ficam felizes ou tristes, voltam para casa e vivem, normalmente, o dia seguinte. Só.

Chega a ser ridículo, alguns “torcedores” do Palmeiras postando fotos das cadeiras quebradas, dizendo: “quebrei mesmo!”, como se fosse algo digno de prêmio. São só cadeiras, elas não ligam para a sua rebeldia. É só futebol. Não pode mais haver impunidade para vandalismo no esporte.

A última grande briga foi aquela na Arena Joinville, em dezembro do ano passado, entre “torcedores” do Vasco e do Atlético-PR. Foi assustador, pessoas desmaiando ensanguentadas só por causa de futebol. Que antes de quebrar uma cadeira ou matar um ser humano, essas pessoas se lembrem que é só lazer, é só futebol, são só cadeiras e que amanhã a vida continua.