23 de jul. de 2014

Até quando?

Por João Vieira

Foto: AP

Conhece aquela história do time que vai mal no campeonato, perde feio a última partida e sofre – até fisicamente – com a pressão da torcida? Corriqueira aqui no Brasil, não é? Pois é, e ela volta a acontecer novamente. Desta vez, o Flamengo se encaixa na figura da “vítima” e mais que o clube carioca, o lateral-esquerdo André Santos virou o ponto-chave da situação, muito por culpa do seu próprio clube.

Para quem não sabe, o camisa 27, após a derrota para o Internacional no último domingo, foi covardemente agredido por supostos torcedores. E, acredite, essa não é a pior parte. Aqui vai o momento estarrecedor: o atleta foi demitido depois do episódio. Sim, o Rubro-Negro rescindiu o contrato do jogador, como se ele fosse o único culpado pelo cenário atual.

O engraçado é que André diz ter recebido uma ligação de um diretor do time logo após o incidente. O dirigente teria perguntado se o lateral estava “tranquilo”. A mínima assistência parece não ter sido tão verdadeira. O apoio se converteu, rapidamente, em oposição.

O caso violento só comprova o fato já sabido por muitos: grande parte dos clubes brasileiros é dominada e tem medo das facções criminosas que compõem suas torcidas, optando por protegê-las, em vez de cortar relações e se tornar mais independente.

O bem e os interesses das equipes ficam sempre em segundo plano quando o assunto envolve os “admiradores”. A fraqueza do Flamengo pode, com certeza, ser compartilhada pelos seus rivais nos quatro cantos do país. O medo impera e a coragem é pouca para colocar um ponto final no mal que ronda o maior esporte tupiniquim.

A solução é simples, mas a covardia quase cega os olhos já míopes dos administradores, que veem como amigos quem deveria ser tratado como adversário.

Enquanto isso, o futebol vai se enfraquecendo, ao passo em que os criminosos crescem a passos largos. Até quando?

Antes do Flamengo ou qualquer outra equipe, o futebol brasileiro já foi rebaixado – e com muitas rodadas de antecedência.