Por João Vieira
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| Foto: AP |
Conhece aquela história do time que vai mal no campeonato,
perde feio a última partida e sofre – até fisicamente – com a pressão da
torcida? Corriqueira aqui no Brasil, não é? Pois é, e ela volta a acontecer
novamente. Desta vez, o Flamengo se encaixa na figura da “vítima” e mais que o
clube carioca, o lateral-esquerdo André Santos virou o ponto-chave da situação,
muito por culpa do seu próprio clube.
Para quem não sabe, o camisa 27, após a derrota para o
Internacional no último domingo, foi covardemente agredido por supostos
torcedores. E, acredite, essa não é a pior parte. Aqui vai o momento
estarrecedor: o atleta foi demitido depois do episódio. Sim, o Rubro-Negro
rescindiu o contrato do jogador, como se ele fosse o único culpado pelo cenário
atual.
O engraçado é que André diz ter recebido uma ligação de um
diretor do time logo após o incidente. O dirigente teria perguntado se o
lateral estava “tranquilo”. A mínima assistência parece não ter sido tão
verdadeira. O apoio se converteu, rapidamente, em oposição.
O caso violento só comprova o fato já sabido por muitos:
grande parte dos clubes brasileiros é dominada e tem medo das facções
criminosas que compõem suas torcidas, optando por protegê-las, em vez de cortar
relações e se tornar mais independente.
O bem e os interesses das equipes ficam sempre em segundo
plano quando o assunto envolve os “admiradores”. A fraqueza do Flamengo pode,
com certeza, ser compartilhada pelos seus rivais nos quatro cantos do país. O
medo impera e a coragem é pouca para colocar um ponto final no mal que ronda o
maior esporte tupiniquim.
A solução é simples, mas a covardia quase cega os olhos já
míopes dos administradores, que veem como amigos quem deveria ser tratado como
adversário.
Enquanto isso, o futebol vai se enfraquecendo, ao passo em
que os criminosos crescem a passos largos. Até quando?
Antes do Flamengo ou qualquer outra equipe, o futebol
brasileiro já foi rebaixado – e com muitas rodadas de antecedência.
