Por João Vieira
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| Créditos: Getty Images |
Mesmo com a classificação da seleção brasileira na noite de
ontem, uma notícia triste tomou conta do país e deixou a passagem para a
semifinal em segundo plano. Em vez desta, o lance duro de Zuñiga em Neymar, que
resultou em uma grave lesão na vértebra do craque brasileiro e,
consequentemente, no seu corte da Copa do Mundo, reuniu um longo debate que me
parece muito injusto.
A entrada do lateral no brasileiro foi realmente dura, isso
é fato. Contudo, trata-se de uma jogada comum nos jogos, merecedora de cartão
amarelo, apenas. A partida, naquele momento, já tinha um histórico de faltas
duras – como outra do próprio Zuñiga em Hulk, a qual soa muito mais grave, mas
é pouco falada, pois não houve nada com o atacante – e sem punição.
O árbitro espanhol Carlos Velasco Carballo não soube levar o
jogo extremamente faltoso – o Brasil cometeu 30 faltas e os rivais 23. Apenas quatro
cartões no jogo inteiro. Ficou barato, para ambos os lados. As instruções da
FIFA foram culpadas, por serem levianas e, em consequência, promover um duelo
pegado sem punições.
Agora, excluindo o juiz da discussão, notemos isto: a maior
parte daqueles que estão condenando Zuñiga praticamente à morte (alguns,
idiotas, ainda capazes de insultá-lo de “macaco” – lembremos também do
#somostodosmacacos) estão o fazendo porque o camisa 10 brasileiro se lesionou.
Duvido, seriamente, que, no momento do lance, 90% desses citados se revoltaram
tanto. Tudo bem, é normal o crescimento do alarido após a confirmação da
contusão, todavia, isso não é suficiente para explicar a hipocrisia implícita,
para uns, e explícita, para outros, no caso.
Outra reação duvidosa seria se a mesma situação acontecesse
do lado contrário. Se um brasileiro machucasse um rival de tal jeito,
condenaríamos o infrator da mesma maneira?
O ponto que dói em muitos é que Neymar é, de longe, o principal
atleta do país e, sem ele, o Brasil terá (muito) mais dificuldades ainda contra
a Alemanha. Com Neymar, por tudo o que representa, a repercussão sempre é
maior, seja ela positiva ou negativa. Porém, peço para que sejamos racionais e
não, somente, passionais, pelo bem do futebol e dos jogadores.
