Por João Vieira
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| Créditos: Getty Iamges |
Esta Copa do
Mundo é a Copa das surpresas. A maioria delas é positiva, não apenas para o
futebol, mas também para os torcedores. No entanto, como eu disse, trata-se
“apenas” da maioria.
Nos últimos dias, a polêmica decisão dos jogadores de
Gana em boicotar um treino e, talvez, a partida contra Portugal (jogo
extremamente importante, que pode garantir a classificação da seleção para as
oitavas de final) devido ao atraso no pagamento de uma premiação prometida aos atletas rendeu muito nas páginas dos jornais esportivos e não é para
menos.
É triste para o
esporte que amamos? Sim, e muito. Porém, é mais triste ainda pelo
caráter de cada um que está no meio dessa situação. Chegamos ao ponto de
escolher o dinheiro em detrimento de defender as cores de nosso país.
É incrível como
há uma mudança no comportamento de muitas pessoas ao ouvir a palavra
“dinheiro”. Muitos profissionais dizem jogar “por paixão”, que “a felicidade é
o que importa” e que “o dinheiro é o de menos”. Mentira. O caso dos ganeses escancara
mais ainda o que já é notável há muito tempo no futebol mundial.
O futebol sofreu
mudanças ao longo de sua história e uma delas – com certeza, uma das mais
impactantes – foi a transformação de um mero esporte para um negócio muito lucrativo,
não só para jogadores, claro. Quantas vezes não escutamos sobre jogadores que
dizem amar um clube, mas, para voltarem às suas “casas”, pedem quantias
astronômicas?
Ok. Sei que
todos pensamos no lado financeiro, é óbvio. E que, além disso, quanto mais
dinheiro um ser humano vê, mais cresce seus olhos e ganância. O defeito existe
em todos nós, entretanto, o que não deve existir é a hipocrisia. Não vá à
frente de uma TV para falar mentiras. Mostre a sua real convicção e o seu pensamento,
quase exclusivo, nas “verdinhas”.
Boa coisa não
pode acontecer em um cenário desse. No caso de Gana, o resultado foi – depois
dos R$ 225 mil individuais entregues – o afastamento das estrelas do elenco:
Sulley Muntari e Prince Boateng, após o primeiro, supostamente, agredir um
membro da própria comissão técnica e Boateng xingar o comandante da equipe.
Pois é, amigo.
Quando o dinheiro sobe à cabeça e o futebol fica em segundo plano, quem ganha é
o adversário.
